segunda-feira, 1 de junho de 2015

Dia comum #1

Eu subo até o prédio da pós, a pé. Atravesso a faculdade inteira, devagar, tentando controlar a respiração. Até chegar na escada. Ah, a escada da pós. Eu olho para ela, ela me olha de volta. Ok, a escada não me olhou de volta, vocês entenderam. Já vi alguns falando que são mais de 50 degraus. Eu tento não pensar nisso. E subo. Olhando para o chão, a respiração fica mais cortada, e eu continuo subindo. Eu acho que cheguei ao topo, mas ainda estou na metade. E eu paro. E depois eu continuo a subir. E vou subindo. Chego lá em cima, e olho se os gatinhos estão no buraco no topo do morro. Estão. Os deixo em paz e vou resolver minhas coisas. Pego um copo d'água, assino meus papéis. Volto para os gatos. Dois pequeninos estão dormindo aninhados um no outro. Pego o celular. Acho que agora eu consigo a foto que eu estava tentando a semana inteira. Deixo a bolsa no chão, e entro na grama. Tento não pensar na morte certeira que me aguarda caso eu escorregue e saia rolando barranco abaixo. Eu tiro uma foto. Vou tirar a segunda. O terceiro gatinho coloca a cabeça para fora bem na hora, acordando um dos irmãos. Foto sensacional. Eles me vêem, acordam o dorminhoco, e entram todos os três no buraco. Eu saio da grama, feliz por não ter caído. Não foi dessa vez. Volto para escada. A descida é mais fácil. E eu vou.

A tal da foto dos gatinhos. Eu juro que tem três aqui.

A necessidade de escrever somada à falta de vontade de criar qualquer coisa nova me fez pensar que as vezes o simples é o melhor caminho. Inspirada por uma ideia do Jonatas, decidi escrever sobre alguns episódios do meu dia a dia, em uma série de pequenas crônicas a serem postadas aqui no blog. Surge agora, Dia Comum.

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